Moção de repúdio à agressão de um estudante pela PM no Campus da UEM

Moção de repúdio à agressão de um estudante pela PM no Campus da UEM

Maringá, 13 de abril de 2012.

Na tarde de terça-feira (10/04), um estudante de Ciências Sociais foi agredido pela Policia Militar em seu horário de trabalho no campus sede da Universidade Estadual de Maringá. O estudante, que acabava de entregar alguns ofícios na reitoria, seguiu em direção a passarela central, onde se deparou com PM e com um lamentável episódio, que só remete ao ambiente universitário correspondente à época da Ditadura Militar no Brasil:

Três jovens eram revistados pela polícia ao lado da FADEC, surpreso ele parou para ver o que estava acontecendo. Neste momento, o estudante foi surpreendido pela polícia e abordado por ela de forma violenta, com empurrões e tapas em seu rosto. Revistaram o estudante, mesmo ele afirmando estar em horário de trabalho, e jogaram todos os documentos que ele carregava em sua pasta no chão. Foram momentos de grade humilhação e desrespeito.

Momentos depois da agressão, o estudante foi até ao DCE para pedir ajuda, pois não sabia o que fazer diante de tal situação. No momento, estavam no DCE quatro estudantes, que se dirigiram imediatamente à Reitoria com o objetivo de obter explicações sobre a entrada da PM nos Campus, e com a esperança de que alguma medida fosse tomada por parte do GRE. Entretanto, os estudantes se depararam com o descaso da Procuradora Jurídica que cinicamente disse: “quero provas, não estou vendo nenhum hematoma. Diante disso questionamos o seguinte: agressão se dá apenas por espancamento? Sabemos que para o aparecimento de manchas roxas ou vergões, seria necessário uma verdadeira SURRA. Seguindo o raciocínio da procuradora da UEM, então, se não há hematomas, não há provas, e a polícia pode cometer qualquer abuso de poder, desde que não deixe marcas visíveis pelo corpo de sua vítima.

Será que o cumprimento dos Princípios Fundamentais da Constituição Federal não precisam ser garantidos pela Universidade? A dignidade humana e a cidadania são esquecidas por se tratar de um estudante?

Três vigilantes presenciaram a agressão, a vice-reitora Profª Drª Neusa Altoé, chamou os vigilantes patrimoniais, acreditamos que as nossas testemunhas estavam a caminho, mas nesse momento o constrangimento foi ainda maior. Segundo os vigilantes a PM aplicou um procedimento padrão e em meio a risadas disseram: “se a polícia está prendendo ladrão, você deve passar longe, ficar com medo”. Mas que procedimento deve-se adotar quando se vê uma pessoa inocente apanhando dessa mesma polícia? Qual será a postura da administração da UEM diante do abuso de poder da polícia, que agrediu um estudante enquanto ele prestava serviços à entidade? Surpreende este tipo de atitude, ainda mais quando uma vice-reitora não toma nenhuma medida para apaziguar a situação e acabar com a coação.,

A Vice-reitora Prof.ª Drª Neusa Altoé na contra-mão do que foi acordado durante a ocupação da reitoria (não criminalização e atendimento das reivindicações) permite a perpetuação de uma agressão seguida de humilhação!

Sendo assim, viemos por meio deste repudiar a ação da Polícia Militar e da Reitoria da Universidade, que de maneira velada buscam construção de fatos que possibilitem legitimar a ação repressiva da polícia. O Governo do Estado e a Reitoria assumem a mesma postura assumida pelo Reitor ilegítimo Grandino Rodas na USP. Trata-se da postura de reprimir os que lutam em defesa da universidade pública contra a privatização: criminalização, sucateamento e privatização.

Exigimos retratação pública por parte da reitoria, apuração dos fatos e a garantia de manutenção da autonomia da universidade, do debate livre e democrático, pela imediata solicitação de retirada da PM que já se encontra dentro do Campus.

Moção de repúdio às agressões sofridas pelos estudantes de todo o Brasil

Moção de repúdio às agressões sofridas pelos estudantes de todo o Brasil

A Frente Estudantil de Luta pela Educação Pública – FELEP, que se constitui como uma frente de luta dos estudantes do Estado do Paraná, vem por meio deste denunciar a brutal repressão que assola os estudantes de todo o país.

Estudantes da UNILA (Universidade Federal de Integração Latino-Americana) Foz de Iguaçu, foram vítimas de uma brutal ação policial na noite do dia 3 de junho. Com o pretexto de som alto, os estudantes foram agredidos pelos policiais com socos, chutes e puxões de cabelo.

Se já não fossem absurdos demais, alguns policiais questionaram a etnia, o curso e a visão política dos estudantes usando pejorativamente o termo “marxista”. Como se fosse crime estudar em determinado curso, ser de determinada etnia e ter determinada visão política.

Porém, a repressão não fica apenas nas escolas de nosso estado, é um fenômeno que atinge a todo o país, como é o caso da USP e agora, recentemente, o da UNIFESP.

Os estudantes da UNIFESP, que ocupavam as dependências da Universidade, se destacaram por tomar a dianteira na luta em defesa de uma universidade pública e gratuita. Pois a universidade que foi montada pelas políticas como REUNI, não passam de caricaturas mal desenhadas de universidade.

A resposta do governo não poderia ser outra, senão a brutal repressão policial a que os estudantes em luta sofreram. No dia 6 de junho, a polícia federal e a polícia militar, cercaram a Universidade Federal de São Paulo, em Guarulhos, e prenderam 46 estudantes do comando de greve que ocupavam suas dependências.

Estamos diante de uma ação repressiva do Governo Dilma/PT. Não por acaso, a operação de reintegração de posse esteve a cargo da Polícia Federal. Trata-se de ação orquestrada para transformar estudantes que se colocam, sem medir esforços, na luta pela defesa da educação, em criminosos e vândalos. A justiça que os processa e taxam como tal deve ser repudiada pela população e principalmente pela juventude.

Portanto, a FELEP denuncia aos trabalhadores, estudantes e a toda a população estas ações que violam a autonomia universitária e o direito de livre manifestação política dos estudantes.

Pelo fim da repressão, dos processos e prisões!

Pela autonomia universitária!

Pelo direito político de manifestação!

Junho de 2012

FELEP – Paraná – Brasil